Mostrando postagens com marcador Reflexões.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ter um parceiro fiel é como ganhar na loteria?

"Tampar o sol com a peneira é a pior forma de evitar que o seu parceiro não te traia"

É fato e não podemos mais negar, conseguir um parceiro fiel se tornou quase impossível, "é como ganhar na loteria".

Por que será que homens e mulheres traem tanto?

Obviamente estamos numa época em que as pessoas estão bem mais liberais e, além de tudo, perdidas.
O avanço da mulher no quesito relacionamento e liberdade sexual estão causando uma igualdade em relação à traição. Diversas pesquisas apontam que o número de mulheres que traem é comparável ao número de homens: situação que causa grande desconforto numa sociedade ainda machista demais.

Cinco fatores que levam o parceiro a trair

1º) Pura monotonia

Algumas pessoas que traem dizem que não há nada a reclamar sobre o parceiro fixo, a traição apenas se torna parte de uma vida um pouco monótona, levando a pessoa a buscar momentos rápidos de sexo e carinho com pessoas diferentes. Essas pessoas quando questionadas sobre culpa, dizem não sentirem-se com qualquer remorso e acham que apenas dessa forma conseguem segurar um relacionamento fixo, sem cair na monotonia e até dizem que as brigas se tornam mais escassas.

2º) Baixa autoestima

A baixa autoestima que algumas pessoas sentem possa levá-las à traição para sentirem-se com uma sensação de poder e alívio frente à sensação de sentir-se rejeitadas e não tão valorizadas pelo parceiro. Estar com outra pessoa é uma forma de elevar a autoestima.

Geralmente essas pessoas não conseguem traçar diálogos para a resolução dos problemas, colocando na traição a solução para todos os seus problemas internos.

3º) Carência afetiva

Muitas vezes buscar outro parceiro não é querer variar no sexo, é querer receber carinho quando está se sentindo carente com o parceiro fixo. A carência afetiva faz com que a busca por sexo com outras pessoas seja constante, é um disfarce, ao invés de conversar com o parceiro ou mesmo se separar a pessoa se envolve com outros para tapar os buracos da desilusão.

4º) Vingança

É muito comum a traição por vingança, essas pessoas se sentem melhor ao "dar o troco", gostam da sensação de "olho por olho, dente por dente".

Muita gente acha que apenas as mulheres traem por vingança, mas os homens também tem esse hábito.

5º) Curiosidade ou impulso

Pessoas mais impulsivas e imaturas costumam trair e colocam a culpa "nos hormônios", mas querem apenas variar; sentem a curiosidade pelo novo e não conseguem se controlar diante de paqueras e insinuações de pessoas desconhecidas.

Geralmente são pessoas muito imaturas no quesito emocional.

O importante é manter a disciplina do diálogo sincero, tampar o sol com a peneira é a pior forma de evitar que o seu parceiro não te traia.
Por Tatiana Ades.

www2.uol.com.br

Paquerar através de apps é saudável?

"Tudo no mundo acontece muito rápido e a tecnologia contribui para essa agilidade. Nos relacionamentos, os aplicativos para smartphones trazem ainda mais rapidez”.

A realidade tecnológica é fato: traz rapidez ao mundo dos negócios, para o trabalho, estudos e principalmente para os relacionamentos.


Mais do que avaliar se é saudável ou não, o uso intenso dessa tecnologia nos possibilita observar se estamos usufruindo a mesma de forma adequada. E, como tudo na vida, essas ferramentas têm seus prós e contras.
Cabe a cada um avaliar e refletir sobre que papel fará uso de tal recurso, para que viva atualizado, porém sem que isso interfira ou prejudique outras vivências.

Paquerar via apps

Prós:

- Amplia a possibilidade de conhecer mais pessoas, bem como conhecer melhor seus contatos apresentados por amigos ou estabelecidos a partir das redes sociais;

- Facilita a aproximação para aqueles que têm dificuldade em se expor ou que sejam tímidos;

- Facilita uma aproximação ou acompanhamento do outro, o que pode favorecer o afeto e um consequente relacionamento amoroso;

- Descobertas de afinidades por meio de áreas de interesse ou de situações compartilhadas.

Contras:

- A rapidez em conhecer ou se relacionar com pessoas podem torná-las descartáveis: afinal, se hoje conheço ou converso com duas pessoas, amanhã poderei conhecer, conversar e 'ter' cinco;

- Aumentar a dificuldade de se estabelecer relações presenciais ou mesmo de falar sobre assuntos simples, bem como sobre os próprios sentimentos e emoções;

- Tornar-se um vício, no qual a pessoa só se relacione dessa forma, ou seja, via aplicativo e que não se sinta confortável com o encontro presencial. Assim ela passa a se alimentar de um mundo idealizado que a impede de viver no mundo real, no qual toda pessoa terá certamente virtudes e defeitos.

Reconhecer a possibilidade de utilizar de forma inadequada um recurso, nem sempre é o suficiente para mudar um comportamento. Por isso, devemos sempre estar atentos a nós, como naqueles com quem nos relacionamos. Não devemos nos referenciar apenas pelas nossas ideias, o outro é sempre importante quando falamos de relacionamento amoroso. Portanto, nada mais saudável do que o olho no olho com um bom papo e companhia agradável. Nada jamais substituirá duas mãos unidas e um beijo prolongado.
Por Eduardo Yabusaki

www2.uol.com.br

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A caverna de cada um.

O belíssimo e enorme salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

A caverna de cada um.

Em uma de minhas recentes palestras sobre o método científico fiquei surpreso ao constatar que boa parte de minha jovem e seleta plateia não recordava (ou nunca ouvira falar) da célebre alegoria conhecida como “O Mito da Caverna” apresentada pelo filósofo grego Platão no Livro VII  de sua obra “A República”.

A princípio fiquei desconcertado; depois refleti que deveríamos oferecer aos nossos filhos um complemento diário de Filosofia (principalmente Filosofia da Ciência) seja através da boa literatura, ou valendo-se de pesquisas em conjunto da bibliografia disponível hoje na internet.

Penso que esse seja um maravilhoso adendo aos contos de fadas. Além de despertar a imaginação, faz um provocativo convite à reflexão.

Que tal contar essa parábola a seus filhos?
A alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, faz uma comparação metafórica sobre a tomada de realidade que cada um deve realizar.

Parte do pressuposto de que existe um grupo de prisioneiros acorrentados em uma caverna, de costas para a única abertura que se comunica com o mundo exterior.

Tais prisioneiros que ali nasceram e ali cresceram, são obrigados, por conta de seus grilhões, a olhar para uma grande parede à sua frente. E é por meio das sombras projetadas nessa parede que recebem as informações sobre os acontecimentos externos à caverna.

Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora e que, relacionados ao movimento das sombras, faz com que os prisioneiros interpretem tais informações como sendo a própria realidade.

Supondo que um dos prisioneiros consiga se libertar de seus grilhões e saia da caverna.  Ele descobrirá que a realidade supera em muito suas simples projeções.

Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus companheiros de cativeiro o que descobriu, encontrará, segundo Platão, muitas dificuldades: desde o de não ser levado a sério e ignorado até o de ser tomado por louco e inventor de mentiras — coisa que poderia colocar em risco sua própria vida.

Nessa alegoria fica clara a intenção de Platão em buscar a essência das coisas para além do mundo sensível e identificar historicamente o papel de seu mestre Sócrates na política de sua época.

Um personagem da caverna, que por acaso se liberte, tal como Sócrates, correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar aos de sua época um mundo totalmente diferente do que era visto pelo senso comum, tão acorrentado a crenças, preconceitos e ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.

O questionamento base, ao que me refiro, também bebe nessa mesma fonte filosófica, pela ótica de outro grande gênio, Francis Bacon, o pai da ciência moderna em seu Idola Specus (ídolos da caverna).

No Idola Specus Francis Bacon nos apresenta a ideia de cada pessoa possui sua própria caverna, na qual interpreta e distorce a realidade projetada, valendo-se da penumbra particular de suas crenças e preconceitos.

Tal versão particular da verdade na qual se acorrenta por sua própria vontade, é acarinhada por seu ego ao ponto de ser tida como única e indiscutível.

Daí ele colocar sempre um definitivo ponto final nas coisas que caberiam com muita facilidade uma simples interrogação.
Nas palavras de Nietzsche — seria a convicção a pior inimiga da verdade? Muito mais que a mentira?
Ou não?
Por Mustafá Ali Kanso em 18.11.2013

hypescience.com

sábado, 16 de novembro de 2013

Meu amigo, minha vida.


Meu amigo, minha vida.

Nada na vida é tão bom do que ter pessoas com quem se pode contar. Aquelas que sempre que a gente precisar vão estar por perto e com certeza irão ter aquela palavrinha de conforto.
Temos nossos pais é claro, mas existem outras pessoas que, não sei,
parece ser mais fácil de compartilhar alguns assuntos, alguns momentos.
Essas pessoas são o que muitos dizem ser a família que nos permitiram escolher, ou seja, os amigos.

São com eles que aprendemos grandes lições, conquistamos muitos caminhos, enfrentamos inúmeros desafios, criamos coragem, começamos etapas na nossa vida. São eles que estão por perto em determinados momentos onde ninguém mais poderia estar a não ser eles.

Com os amigos, superamos barreiras, aprendemos a amar de uma forma diferente, de querer bem e estar bem. Amigos são pessoas maravilhosas que por mais que apareçam os problemas, lá estão eles conosco, junto, passando por cima de tudo.

É lógico que nem todos os amigos são assim, afinal de contas, existem amigos e amigos. Tem aqueles de determinadas horas, ocasiões, dias, épocas, enfim, existem vários tipos de amigos. Mas o que cito aqui é o amigo você.

Aquele com quem me sinto bem quando esta por perto aquele que me passa segurança apesar de às vezes não parecer. Aquele que por mais que haja brigas, sempre fica do lado quando precisa. Aquele que de alguma forma não dá pra esquecer de jeito nenhum. Aquele que esta junto nas horas mais importantes da minha vida.

Aquele com quem, a cada dia que passa, aprendo mais e me sinto muito melhor. Aquele com quem quero estar para o resto de meus dias, mesmo que um dia eu vá para longe ou vice versa. Aquele que sempre que acontece algo de novo, quero que seja a primeira pessoa, a saber.

Aquele que, por mais que eu viva mil anos, jamais sairá da minha mente e principalmente do meu coração. Aquele que eu gosto que eu admire que eu confie que eu ajudo quando precisa, que me ajuda quando preciso que eu brigo quando a ou não motivos que me abriga.

Aquele de quem eu nunca, nunquinha, vou esquecer. Aquele que não importa a situação ou a hora em que me encontre, sabe que sempre vai poder contar comigo, para o que der e vier. Aquele que eu simplesmente amo pelo fato de já fazer parte da minha vida e por me fazer ter vontade de continuar a viver, por mais que a vida pra mim já não signifique nada em alguns instantes, pois com você, a vida tem sentido e como já diria Shakespeare, me faz ver que eu tenho sentido diante da vida.

Não quero te perder, pois amigo como você, com certeza me sinto bem quando esta por perto aquele que me passa segurança apesar de às vezes não parecer. Aquele que por mais que haja brigas, sempre fica do lado quando precisa. Aquele que de alguma forma não dá pra esquecer de jeito nenhum. Aquele que esta junto nas horas mais importantes da minha vida.

Aquele com quem, a cada dia que passa, aprendo mais e me sinto muito melhor. Aquele com quem quero estar para o resto de meus dias, mesmo que um dia eu vá para longe ou vice versa. Aquele que sempre que acontece algo de novo, quero que seja a primeira pessoa, a saber.
Aquele que, por mais que eu viva mil anos, jamais sairá da minha mente e principalmente do meu coração. Aquele que eu gosto que eu admiro que eu confio, que eu ajudo quando precisa, que eu brigo quando a ou não motivos.

Não quero te perder, pois amigo como você, com certeza não encontrarei ao atravessar a rua. Um amigo que me faz ver tudo e todos de todas as formas. Que me faz enxergar o que há de bom e que abre meus olhos para que eu não cometa delitos. Um amigo assim não é todo mundo que tem.
Deus te pôs no meu caminho e não foi por acaso. E agradeço sempre a Ele por isso, pela chance que me deu ao fazer com que você atravessasse meu destino, pois agora que você pisou nele, tenho certeza que tão logo não sairá e que ainda temos muito que viver juntos.


Amigo é como bichinho doente, ou cuidamos com carinho, ou perdemos para sempre. E prometo que tentarei ao máximo fazer com que isso não aconteça, mas se um dia acontecer, não se apavore, estarei do teu lado e em pouco tempo estaremos juntos novamente, e a cada dia minha existência terá mais valor com você a meu lado, pode estar certo disso.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Posso ser amigo de um ateu?

Debater é uma arte essencial para aqueles que lidam com questões acadêmicas. Prefiro mil vezes um debate que não chegue a uma conclusão a uma conclusão que dispense um debate. Conclusões que não foram exaustivamente discutidas são como soluções vazias para um problema que nem foi sistematizado. Neste processo, é muito importante que haja espaço para boas discussões. Veja, eu disse “boas” discussões.

É uma pena que certos comportamentos belicosos tenham dado à palavra discutir um novo sentido semântico que não tinha nada a ver com aquele original de quando o termo foi criado. Só para que se saiba “discutir” vem do latim discutere (dis, separação + quatere, quebrar). O sentido original era quebrar, sacudir, abalar. 

Era isso o que os médicos romanos faziam com as plantas para produzir um medicamento. Eles quebravam e sacudiam as raízes para separar a terra e verificar as que eram ou não fortes o bastante para servir de remédio. Em virtude dessa prática, discutir também adquiriu um sentido adicional de “curar”.

Originalmente, portanto, “discutir” seria pegar um assunto e agitá-lo, até ele se dividir em partes menores e se desprender daquelas que seriam periféricas. Assim, ele fica mais fácil de ser digerido, pois não podemos compreender tudo de uma só vez.

É por isso que, em qualquer discussão, todos os envolvidos parecem ter sempre um pouco de razão: cada um só vê a parte que lhe interessa, a do outro é sempre a terra a ser desprendida ou o pedaço de raiz que não serve para nada. O importante, portanto, numa discussão, é superar a tendência partidarista e usar as partes “sacudidas” para se alcançar, senão o consenso, pelo menos o respeito por aquele que discorda de nossa opinião.

Seria a busca por esse respeito uma utopia? Bem, somando a ideia de que “a esperança é a última que morre” ao fato de que sou um homem de fé, ainda acredito que é possível discordar com respeito. E vou mais além: é possível ser amigo de alguém de quem você discorda profundamente? Também creio que sim.

Veja o que aconteceu comigo: perdi a chance de falar num fórum na Unicamp e isso me deixou muito chateado, muito mesmo! Não concordei com a postura assumida por alguns professores. Mas vejam o presente que ganhei de Deus (isso mesmo, “de Deus”; lembre-se de que quem escreve acredita nEle): ganhei três novos amigos, uma antropóloga canadense, um matemático e um físico – esses dois últimos se empenharam ativamente pelo cancelamento do fórum. Um deles é o físico Leandro Tessler, cujo nome está circulando como elétrons nas redes sociais. Espero não ter errado na comparação, mas antes isso que dizer “circulando como azeitona na boca de um velho” (rs).

Mas, falando sério, como pode existir amizade numa situação dessas? Podem um crente e um ateu se tornarem amigos? Ora, se o que eu acredito for verdade, eu e o Leandro somos filhos de um mesmo Deus. Se o que ele diz for verdade, também somos todos parentes por ter uma ancestralidade comum. Logo, no frigir dos ovos, independentemente do modelo adotado, somos todos irmãos. Então, por que se comportar como se fôssemos um bando de porcos-espinhos numa noite de inverno? Devemos ser mais evoluídos do que isso!

Dá, sim, meus amigos, para discordar com classe. Dizer que o professor Leandro é academicamente desonesto não ajuda na argumentação. Pelo contrário, é tão ofensivo quanto supor que eu esteja sorrateiramente entrando na Unicamp, como um lobo disfarçado de ovelha para convencer os alunos da “perigosa” doutrina do criacionismo. Noutras palavras: eu também seria desonesto!

Ambos, ele e eu, somos muito honestos com nossa linha de pesquisa, mesmo que cheguemos a conclusões diferentes sobre algumas coisas da vida. O professor Leandro foi muito cortês no almoço que tivemos e não vi motivos para duvidar da idoneidade dele. Ao contrário do que alguns supõem do caráter de um ateu, ele não pediu “criancinhas ao molho pardo” e eu também não pedi alfafas.

Ele não é canibal e eu não sou burro. Somos dois pensadores tentando entender a vida e o sentido de nossa existência. Temos todas as respostas? É claro que não! Mas as estamos buscando. Cada um a seu modo. Ele me deseja um “bom culto” quando digo que vou para a igreja. E eu digo que “orarei por ele”. Não há ironias, nem desaforos, apenas respeito um pelo outro, sem desconsiderar os pontos nos quais discordamos.

Como cristão, eu tenho de entender que não sou dono da verdade e não sei tudo sobre Deus. E como dizia uma velha canção católica: “às vezes quem duvida e faz perguntas é muito mais honesto do que eu”. Deus é menos ofendido pela sinceridade de um ateu do que pela hipocrisia de um santo. É claro que meu desejo é que um dia o Leandro acredite em Deus.

E se isso não ocorrer? Que me importa? Pela evolução ou pela criação ele continua sendo meu irmão e merece meu respeito. Devemos defender com paixão aquilo no qual acreditamos, mas alguns preferem defender com “raiva” e isso não é nada bom!

(Rodrigo Silva é graduado em teologia e filosofia, doutor em teologia e doutorando em arqueologia clássica pela USP)


Nota: O texto acima foi publicado simultaneamente no blog Cultura Científica, de Leandro Tessler.
criacionismo.com.br

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Chefe é chefe – uma reflexão fabulosa!

Chefe é chefe – uma reflexão fabulosa!

Um dos fundadores da sociologia, o economista alemão Max Weber, conceitua o poder como sendo toda a probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, obstante qualquer resistência e independentemente do fundamento dessa probabilidade.

Um dos exemplos mais simplórios e também um dos mais anacrônicos do exercício do poder está manifestado no membro administrativo de algumas corporações, com grau hierárquico executivo identificado simplesmente como “o chefe”.

“O chefe” é o personagem muitas vezes caricato que, encarnando o detentor de alguma forma de poder, tem muitas vezes seu grau de hierarquia oficializado por títulos sugestivos, tais como coordenador, gerente, diretor, supervisor, etc.

Independentemente do título, ser chefe é ter acesso privilegiado às informações e às decisões, e também a outros instrumentos administrativos que viabilizam o exercício desse poder, tais como a promoção e a demissão de seus subordinados, por exemplo.

No Brasil das corporações anacrônicas é comum se ouvir nos bastidores:

- O chefe tem sempre razão!
- Manda quem pode – e obedece quem tem juízo!

E por aí vai.

A infelicidade de tal prática, onde chefe é chefe e subordinado é subordinado (sendo a diferença muito nítida também no montante dos salários) geralmente está acompanhada pelo autoritarismo de uma parte e a subserviência da outra.

Talvez uma herança atávica do feudalismo, o exercício do micro poder diário das chefias nos convida a um questionamento filosófico também sobre o exercício diário da ética, que se traduz, na interpretação de muitos filósofos modernos, como sendo simplesmente o exercício da moral.

Muitos chefes possuem um poder circunstancial. Mandam mas não lideram.

E talvez por falta dessa mesma liderança ameacem, intimidem e se transmigrem amiúde na versão tragicômica de pequenos tiranos.

Em síntese: um rato que ruge.

E o que é pior, é que muitos desses chefes tiranos brotaram do plano comum de seus subordinados.
Quando então promovidos simplesmente “mudam de lado”.

Talvez porque na maioria das corporações onde exista um chefe tirano, também existam subordinados que trabalhem direito apenas quando contam com uma “severa” supervisão.

Flagra-se, portanto, a carência de moral, tanto de uma parte como de outra.

Qual é a solução?

Melhorando-se o subordinado, transformando-o em colaborador se melhoraria também a chefia?

Ou trocando-se um chefe por um verdadeiro líder, a coisa toda mudaria de figura?

Será?
Ou é do indivíduo que temos de falar – antes de mais nada?

Para concluir este artigo e suscitar essa fabulosa reflexão – quero apresentar aqui minha releitura recorrente de uma das “Fábulas Fabulosas” de Millôr Fernandes:

“O rato que tem medo”

A história é bem simples. Um rato que depois de muito sofrer pede para um grande mágico transformá-lo em um gato. Não suportava mais ser perseguido e intimidado.

Nem bem foi transformado, ironicamente, passou a perseguir todos os ratos que encontrou. Porém, com inédita crueldade e efetiva precisão. Afinal conhecia com propriedade o modus operandi destrutivo dos ratos.

Viveu satisfeito até encontrar um cão – que então o persegue.

Implora mais uma vez para que mágico o transforme, dessa vez em um cão, e assim, por efeito da magia vai subindo sucessivamente a escala zoológica até chegar na iminência de ser transformado em ser humano.

Nessa passagem, o mágico, numa peripécia o transforma novamente num rato.

- Mas por que voltei a ser rato?  – pergunta o animal, transbordando frustração.

É com a sabedoria típica das fábulas que o Grande Mágico responde:

- De que adiantaria para o mundo mais um Homem com “coração de rato”!
Por Mustafá Ali Kanso em 22.04.2013 as 1:53
hypescience.com.

DO TRIGO ÀS CEREJEIRAS – UMA RÁPIDA REFLEXÃO




DO TRIGO ÀS CEREJEIRAS – UMA RÁPIDA REFLEXÃO

Tenho defendido a importância da educação científica no Brasil, principalmente no que tange a busca por soluções determinantes, tais como a erradicação da miséria, das doenças endêmicas, bem como a defesa e conservação do ambiente natural, só para citar aqui alguns poucos exemplos.

Entendo que é através do conhecimento científico e tecnológico que alternativas serão encontradas para se realizar o tão propalado crescimento sustentável, bem como, a extensão dos benefícios do progresso tecnológico para toda a população.
Busco demonstrar que o analfabetismo científico, a exemplo de todo o analfabetismo, é historicamente destrutivo, à medida que põe por terra todo o esforço para a melhoria da qualidade de vida de todos nós.

Entre os casos mais gritantes, podemos enumerar a título de exemplificação, no item “depredação ambiental”:
poluição de mananciais;
consumismo desenfreado;
descarte irregular de lixo;
 instalação de esgotos clandestinos,
desperdício de alimentos e de água;
exaustão de recursos naturais;
etc.

Coisa que uma população educada cientificamente não faria.
No entanto, não sou ingênuo a ponto de pensar que só ciência e tecnologia seriam suficientes.

Esse processo passa pela famosa educação de base: uma educação que contemple todos os aspectos do indivíduo, incluindo aí a concepção de uma conduta ética voltada ao bem comum.

Por outro lado, sabemos que a maioria de nossa população luta diariamente pelo simples direito de sobreviver.

É terrível admitir essa dura realidade, mas cerca de quarenta milhões de brasileiros não conseguem ter sequer três refeições por dia.
E se falarmos então sobre o acesso à água tratada, ao saneamento básico, à energia elétrica ou à saúde — ou a já citada educação de base — o quadro é simplesmente desesperador.

Isso em pleno século XXI.
Como discutiremos nossos ideais tão elevados se a realidade das diferenças sociais no Brasil é ainda uma ferida aberta?

Percebo a indiferença de alguns, que até se justificam, pois tem a clara convicção de que os mais pobres estão nessa situação por que simplesmente não querem trabalhar.
Será?

Tenho viajado muito por esse Brasil — e o que mais tenho visto, desde as primeiras horas da manhã, são terminais de trens, metrôs, ônibus, etc. lotados.  Apinhados. Um mar de pessoas embarcando nessas conduções.

Quem serão eles? Seriam esses os mais ricos do Brasil?
E para onde estarão indo, assim tão cedo? Para a praia, para o clube?
Ironia à parte, através dos dados da ONU pode-se constatar que a jornada de trabalho brasileira está entre as maiores do mundo, ao mesmo tempo, que o respectivo salário figura entre os menores. Por quê?

Outro dado alarmante:
O trabalhador brasileiro está entre os menos nutridos do mundo.

Abrindo um parêntesis:
É evidente que existe gente desonesta, preguiçosa e aproveitadora.
Mas isso não é exclusividade dos mais pobres.
Eu quero chamar a atenção a esse processo de reflexão, que cada um deve realizar dentro de si mesmo, quando condena a todos pelo mau exemplo de alguns.

Fechando o parêntesis:
Cada vez que falo em educação científica me recordo que a miséria é ainda a principal causa mortis das crianças do meu país — simplesmente não me conformo.
Como prodigalizar às nossas crianças o pão do espírito — que é a educação — se o pão do corpo lhe é ainda negado?

— Lembrando sempre que o trigo antes de virar pão precisa ser cultivado.
Também é uma saída fácil atribuir a exclusiva culpa e responsabilidade ao governo, afinal eu pago meus impostos para que esses problemas sejam resolvidos.
Todo o mês é descontado 27,5% do meu salário. Isso sem contar IRPF, IPTU, IPVA, etc. etc. etc. (e mais os impostos embutidos em todos os serviços e produtos que consumo).

Qual é a parte que me cabe nesse latifúndio?
Entra governo, sai governo e o quadro desesperador persiste.
E mesmo ficando indignado, mesmo indo às ruas protestar, mesmo votando consciente, mesmo cumprindo com todas as minhas obrigações sociais, isso não tem atenuado o sofrimento da maioria da nossa população.
Como dizia Betinho: – Quem tem fome tem pressa.
Então, qual é a solução?

Um dos caminhos que eu encontrei é o de unir minha força de trabalho ao de outras pessoas que, assim como eu, resolveram fazer alguma coisa e não apenas reclamar.
[Sim! Existem muitas pessoas assim no Brasil. Inclusive em sua cidade, basta procurar].

São voluntários que doam algumas horas de seu mês para trabalhar pelos mais necessitados. Temos médicos, dentistas, professores, engenheiros, operários, donas de casa, e tantos outros cidadãos, todos unidos em torno desse mesmo ideal.
Tenho encontrado uma chance de fazer parte da solução, e, sinceramente acredito que só a sociedade civil organizada em uma democracia tem essa liberdade.
Evidentemente uma coisa não exclui a outra.

Continuo lutando por meus ideais, seja nas urnas, seja participando de protestos nas ruas, seja no exercício pleno de minhas funções sociais como profissional e como cidadão.

Mas entendo que posso fazer mais um pouco, enquanto estiver por aqui.
Algo que tenha transcendência.

Mesmo que seja construir um pequeno regato perante o oceano da eternidade.
Mas como diz um grande amigo que atua no voluntariado há mais de vinte anos.
É como plantar uma cerejeira.

É bem provável que você nunca se sentará à sua sombra ou colherá de seus frutos.
É um simples gesto de generosidade às gerações futuras.
Por Mustafá Ali Kanso em 11.11.2013 as 0:30
hypescience.com.